Tecnologias da Informação e Manipulação de Imagens

    O surgimento da "Imprensa de Gutenberg", adjunta, posteriormente, do surgimento das câmeras fotográficas, bem como das televisões e dos rádios,são poucos dos muitos exemplos de revoluções tecnológicas comunicacionais que, desde o século XV, provocam transformações e moldam o comportamento da sociedade. Todavia, o surgimento do ambiente digital, com a consolidação da internet, provoca transformações que não apenas são responsáveis por uma mudança de comportamento e de atitudes, mas que colocam todos os usuários, integrados na rede, à mercê da manipulação e do controle.Dessa forma, torna-se possível o regulamento do comportamento, considerando-se os gostos, opiniões e posicionamentos, em âmbitos econômicos, sociais,culturais, políticos, entre muitos outros do usuário.
    Em primeira instância, pois, é preciso que se ressalte a utilização e a função das tecnologias de informação e comunicação como mecanismo para a manutenção desse controle. A extensão da comunicação para o espaço cibernético, que em um primeiro momento se mostra como sendo um espaço plural, atrativo, e principalmente "vicioso", inibe o caráter de utilização desse espaço e de toda a tecnologia integrada a esse como um ambiente de manipulação. A utilização de softwares, que permitem a edição e manipulação visual, mas também de artifícios analógicos e do universo da programação (como os próprios algoritmos, bem como o design de layouts) se tornam mecanismos que, beirando o inconsciente, programam o quê iremos consumir, como iremos agir, com quem e com o quê iremos interagir de modo a colocar a rede de usuários a mercê de grandes corporações e instituições que, pouco a pouco, são responsáveis por engendrar e consolidar a nossa realidade política, econômica e social, mas  também cultural. E tal qual somos orientados por crenças, éticas e morais, o movimento contrário a esse fluxo torna-se quase impossível de maneira que, por julgarmos o como sendo involuntário, e não programado, a força resultante para a continuidade desse ciclo se torna maior do que a força de oposição a tal.
    Além disso, é valido destacar o caráter recente desse novo ambiente de interação do usuário com a tecnologia. Ainda que a internet e todos seus mecanismos já sejam enquadrados como sendo o "mal do século", é de se considerar que a verdadeira consolidação desse novo ambiente ainda está em processo, de modo que o acesso e o desfruto desse espaço e de suas ferramentas ainda não é majoritário. Dessa forma, toda a tecnologia de informação e comunicação tradicional, como a própria mídia tradicional (ex.: televisão, rádio, jornais, etc), por alguns já vista como "arcáica" ou "ultrapasada", ainda se mostra como fator determinante de comportamento e de formação de opinião. Dessa forma, vem a tona o fato de que ainda não rompemos com todos os laços com a antiga realidade, além do fato de que ainda não estamos equiparados, não apenas tecnologicamente, mas principalmente racionalmente para lidar com os problemas e desafios dessa nova realidade.
    Fica evidente, portanto, o caráter problemático da nova era tecnológica, da maneira como nós interagimos com tais tecnologias, ou melhor dizendo, da maneira como tais passam a "interagir" (ou programar) o usuário. Em razão disso, é válido dizer que "depois de inventar a roda, o homem perdeu as pernas, e com o advento da tecnologia... foi-se o cérebro".






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