Pierre Verger: O mensageiro entre dois MUNDOS
O riquíssimo acervo de "negativos"(filmes fotográficos) retratados por Verger, com sua Rolleiflex, de imediato atraem a atenção(tal qual atraiu a minha) de quem os observa pela dimensão dos contrastes em sua composição: o contraste técnico e o contraste simbólico.
Tendo sido uma referência exímio na fotografia em preto e branco, Verger ao fotografar a Bahia, na qual hoje celebramos a vivacidade das cores vibrantes e energéticas, não minimizou sua essência. Essa mesma responsável por provocar a paixão que fez com que aquele local se tornasse seu porto, não foi minimizada, mas exaltada. Ainda que buscasse retratar o cotidiano, tal se dava em composições por sua câmera, não monótonas e tediosas, mas eufóricas e contagiantes.
Nenhum gesto o escapava, quer fossem os movimentos da capoeira, o balanço das velas nas águas, os sorrisos discretos ou não, até mesmo o cochilo nos bancos, embaixo das árvores ou nos barcos.
Tais retratos, que não se restringiram às margens da Bahia, também alcançaram as margens da África, bem como dezenas de países dos demais continentes. O sentimento, porém, depois do desfruto de uma porcentagem de seu acervo (que atingem a marca de pelo menos 65 mil negativos) é de revitalização, de ideias, de pré-conceitos, já por nós estabelecidos e da firmação da concepção de que há, sim, espaço para a autoafirmação, de maneira positiva e simbólica, do cotidiano.
Dessa forma, as fotos capitadas por Verger, por buscarem retratar a vivacidade em ambientes, espaços, em países e continentes, comumente marcados pela monotonia, pelo desprezo e pela miséria, demonstra que um espaço, considerando seus aspectos físicos, mas também culturais, não é SINGULAR, mas PLURAL. E Verger, com sua lente, quis capitar as flores que também nascem no asfalto.





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